quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Heeeei! Goiânia! Não deu pra segurar a barra, então eu voltei!



Assim que voltamos de Belém, esperávamos um longo e merecido descanso, o que não aconteceu. Saímos de Goiânia vindo de Belém na segunda-feira (17/11), na terça e quarta tivemos que trabalhar em São José dos Campos e São Paulo, na quinta tivemos um dia livre (aniversário da Fran) e na sexta (20/11) fomos até Caçapava coletar parte de uma carga que deveria ser entregue na semana seguinte em Goiânia.

Na segunda-feira de manhã saímos rumo a Goiânia de novo, porém dessa vez em um caminhão maior.

O caminhão maior exigiu que aprendêssemos coisas novas, por exemplo:
- usar o tacógrafo;
- como usar as marchas reduzidas; 
- todo motorista precisa de um pen drive de músicas de posto de gasolina; 
- procurar postos seguros para dormir e montar a cama do caminhão; 
- o funcionamento de uma agenciadora de carga. Bom, vamos explicar ponto por ponto.

Então, sobre o tacógrafo. Acho que poucas pessoas que não trabalham com caminhão sabem o que é isso. Na verdade, o tacógrafo é a caixa-preta do caminhão. É o instrumento responsável por marcar as oscilações da velocidade, as ultrapassagens do limite permitido, o tempo de parada dos motoristas, etc. É exigido por lei e fiscalizado pelos policiais não apenas em casos de acidentes, mas em paradas de rotinas também. Assim, ele tem que estar sempre em dia e de preferência com velocidades que não excedam os limites.

Antes de partir para uma viagem o motorista tem que preencher o tacógrafo (por fora, ele parece um rádio, marcando a data e a hora) e por dentro é inserido um "disco" de papel . Esse disco tem o formato de um CD e sete camadas de papel (uma para cada dia da semana). Assim que começa a viagem, o/a motorista escreve no primeiro disco a hora, a data da viagem, o nome dx motorista e a placa do veículo. Depois disso, o aparelho marca a movimentação do veículo com pequenos riscos no papel carbonado.




Sobre o segundo ponto: alguns caminhões (principalmente os maiores) tem seis marchas normais e seis marchas reduzidas. No câmbio normal o caminhão anda em “marcha leve”, mas tem um pequeno botão que você pode empurrar na hora em que muda o caminhão para marcha reduzida.

Antes de sairmos, pedimos ajuda para alguns motoristas e percebemos que os jeitos de usar a marcha reduzida são distintos. Uns consideram a marcha reduzida como uma marcha intermediária: se você tiver de sexta e quiser reduzir, pode jogar uma sexta reduzida e começar a diminuir a velocidade, já jogando logo em seguida uma quinta “leve”.

Na prática esse jeito foi meio complicado e o caminhão perdia força com muita rapidez, freando com brutalidade. No fim, usamos as marchas pesadas reduzidas mais em subidas e da quinta marcha para baixo. Ainda temos que aprimorar o uso de todas essas marchas, mas já valeu o aprendizado.

Antes mesmo da viagem “começar” e sairmos de Jacareí já tínhamos aprendido – pelo menos na teoria – como usar o tacógrafo e as marchas reduzidas. A viagem começou na sexta-feira (20/11) em Caçapava, no fim de semana ficamos trabalhando com a correção de uma dissertação em Jacareí e na segunda (23/11) pegamos a estrada. Primeiro passamos em uma gráfica em São Paulo, depois em outra em Monte Mor (cidade perto de Campinas). As coletas demoraram um pouco e só conseguimos seguir viagem para Goiânia depois do almoço.

No almoço, percebemos que tínhamos esquecido o pen drive com música. Assim, aproveitamos o ecletismo da oferta musical dos postos de gasolina e compramos um CD do Milton Nascimento, achado entre Cd's do Sepultura, Tim Maia, músicas sertanejas e gospel, DVD's do Zé do Caixão e filmes evangélicos. Chegando no caminhão vimos que o rádio não tocava CD. Não teve jeito, no posto seguinte compramos os famosos pen drives de posto (“uma recordação pra sempre”), aí foi só desfrutar – e pouco tempo depois odiar – as milhares músicas de sertanejo, arrocha, axé e estilos desconhecidos.



                                           

Seguindo a estrada, pegamos muita chuva, e para não viajar de noite e debaixo d'água, paramos no posto Décio em Uberlândia. Este posto é bem grande, tem lavanderia, barbearia e até sala de leitura para os motoristas. Foi a primeira vez que dormimos no caminhão. Depois de meia hora tentando montar a cama, ligamos para outro motorista da empresa, para descobrirmos que atrás do banco do passageiro tinha uma alavanca que abria a cama. Apesar do medo de não conseguir dormir por causa dos barulhos dos outros caminhões, da falta de posição por dividir em dois a cama pequena e de morrer sem ar por passar a noite fechada no caminhão, tudo deu muito certo e conseguimos dormir tranquilxs.



Cama do caminhão aberta




No dia seguinte (24/11), saímos umas sete da manhã e continuamos a viagem até Goiânia. Tomamos café no posto Décio mesmo e dividimos um PF no caminho. Só chegamos no local da entrega – em Senador Canedo, conurbado de Goiânia – às quatro da tarde. Demoramos um pouco para encontrar o local de entrega, uma fábrica de energético, e aguardamos cerca de duas horas até que nos chamassem para descarregar.

Depois, fomos para Goiânia procurar um local para deixar o caminhão. Uma chuva gigante se armava, assim que entramos na cidade, vários trovões e uma tempestade, as ruas todas cheias de carro, começando a alagar, uma confusão. Também foi difícil achar estacionamento. Depois de dar algumas voltas acabamos deixando o caminhão no posto Goianão. Esperamos um pouco até que o pai do Tonho, Alexandre, fosse nos buscar no meio daquela bagunça que estava a cidade. Enquanto isso, aproveitamos para ficar trabalhando na correção da dissertação de uma amiga que precisava ser finalizada com urgência. Logo o pai do Tonho chegou e aproveitamos para matar a saudade do melhor prato goiano- a pamonha.

Chuva sobre Goiânia


Fran Charlinha estudando no caminhão

Quando conseguimos parar e chegar na casa do Tonho já eram quase dez da noite. Chovia tanto e estávamos tão cansados que tivemos que deixar de lado todos os planos de beber uma cerveja com os amigos.

No outro dia (25/11) não teve jeito, bem cedo começamos tudo de novo. O pai do Tonho nos levou até o posto para pegar o caminhão. Por sorte, antes disso, passamos muito rapidamente para pegar a Iara, irmã do Tonho, e na casa da vó Myrthes, onde tivemos o prazer de conversar um pouco com ela e com a Maiene.

Chegamos no posto Goianão e procuramos uma carga. A ordem era “não voltar batendo carroceria”, ou seja, não voltar vazio. No posto passamos em algumas transportadoras e tentamos algum frete, logo descobrimos que as cargas para o nosso tipo de caminhão (toco) eram mais difíceis. Ele carregava até 8 toneladas (e 41 metros cúbicos) e grande parte das viagens era para levar mais de 13 toneladas. Na primeira transportadora, um gaúcho nos atendeu e disse que se quiséssemos ganhar dinheiro teríamos que comprar outro caminhão, ele ainda aproveitou para falar que se a gente quisesse só conhecer o Brasil, como casal, tudo bem viajar em um caminhão pequeno, mas que não era pra gente levar qualquer coisa porque os goianos não são bobos e depois colocariam Tetraidrocanabinol no meio da carga, seríamos presos, separados em presídios diferentes e o Tonho com olhos azuis “sabe bem o que aconteceria com ele na cadeia”. Procurar carga era não só um perigo, mas um verdadeiro roteiro de filme ficção, com direito a final trágico.

Desconsiderando a “tragédia anunciada”, seguimos para o posto Aparecidão, em Aparecida de Goiânia, local conhecido por ter várias agências de carga. Lá começamos a procurar uma carga, passamos em algumas transportadoras, mas logo depois, descobrimos que no outro lado do posto, haviam várias agências. Elas ficavam umas ao lado das outras, aproximadamente vinte pequenos escritórios de poucos metros quadrados. Do lado de fora, tinham uma lousa onde davam detalhes sobre a carga disponível, escrevendo o local da entrega e a quantidade de quilos. Ficamos lendo todas as lousas, entrando em todos os escritórios e mais uma vez percebemos que as cargas para o nosso tipo de caminhão eram escassas. No último escritório – um container ao lado dos outros – o atendente nos disse que tinha uma carga para um mercado de Atacado, sendo o valor do frete de 700 reais e outros que eram de sacos de grãos (como milho) e que o preço era de 1 pra 100, ou seja, 100 reais para cada tonelada – no caso do nosso caminhão seriam 800 reais. Descobrimos a quantidade de metros cúbicos do nosso baú, calculamos e vimos que o valor do frete era tão baixo que não valeria a pena a mão de obra. De todo jeito, ligamos para a transportadora que mandou seguir viagem vazios, alertando que uma descarga no mercado de atacado podia levar até dois dias e que essa longa espera não era contabilizada no valor no frete.

Quase na hora do almoço, desistimos de procurar carga e seguimos de volta. No caminho, saiu uma coleta em Paulínia, para ser feita no dia seguinte. No caminho de volta, como a Fran precisava terminar a correção da dissertação, o Tonho dirigiu grande parte do tempo. Seguimos direto, parando apenas para almoçar em um buffet livre entrando em Minas Gerais. Quando o sol estava se pondo, passamos por Ribeirão e vimos um céu lindo. Andamos mais um pouco para procurar um posto para dormir. Alguns postos exigem que os motoristas abasteçam e assim disponibilizam uma vaga no estacionamento e uma ficha para o banho. Foi assim que fizemos, paramos em um posto, tomamos banho (frio) e esperamos a hora do primeiro jogo do Palmeiras x Santos na Copa do Brasil (bom, hoje sabemos que apesar da primeira derrota por 1x0, o Palmeiras venceu o campeonato, parabéns Verdão, campeão da Copa do Brasil 2015 , vamo ganhar Porco!). Assistimos o primeiro tempo, tomando uma cerveja e comendo uns petiscos, como estávamos muito cansados, fomos deitar antes do fim do jogo e ouvimos o segundo tempo na rádio do caminhão, antes de pegarmos no sono.

Pôr do sol em Ribeirão
Local para colocar a ficha do banho e acionar o chuveiro no posto



No dia seguinte (quinta-feira, 26/11), chegamos as 10 horas para fazer a coleta em Paulínia. O local era uma fábrica de papel. Lá carregamos umas duas mil caixas de papel higiênico (daqueles rolos grandes), a carga não vinha no pallet, mas tinha que ser batida, ou seja, montada no caminhão, caixa por caixa. Apesar de cada volume  pesar menos de 10 kg, no fim das quase duas mil caixas, já estávamos super cansadxs e voltamos para Jacareí, chegando só umas quatro da tarde.








Nessa viagem também tivemos uma experiência única, como estávamos com muitos trabalhos paralelos nunca tínhamos tempo para “descansar a cabeça”. Como terminamos tudo, nesse caminho aproveitamos para ler juntxs o livro “A hora dos ruminantes” de José Veiga. Este foi um presente do nosso amigo goiano, Vinícius, uma leitura fácil e deliciosa, como seus causos. Enquanto a Fran dirigia o Tonho lia em voz alta, imitando as vozes dos personagens e fazendo pausas que aumentavam a ansiedade pelos desfechos dos personagens. Viajamos por Goiás e viajamos também pela cidade de Manarairema, onde se passa a história do livro e onde permanecemos por algum tempo, sufocados com a presença dos homens desconhecidos.






Destino: Goiânia

Carga: insumos para bebidas (ida) e papel higiênico (volta)

Distância percorrida, ida e volta: 2.000 km




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De São Paulo a Belém



Deu um arrocho no peito, São Paulo ficou pequena, ô lugarzinho abafado!

Fomos convocados para uma viagem a Belém. A primeira parada seria em Araxá-MG, depois seguindo milhares de quilômetros ao norte, para descarregar o restante da mercadoria em Marabá-PA e, centenas de quilômetros mais para cima, em Ananindeua-PA (Região Metropolitana de Belém), para coletar equipamentos e trazer de volta para São Paulo. Olhamos no mapa e sentimos que agora o trem arrochou: dois terços do território brasileiro, em linha reta, separam a capital paulista da paraense.

No feriado de finados, carregamos a Sprinter para mais essa jornada. Eram seis caixas grandes com equipamentos hospitaleres. Almoçamos em casa com a família do Tonho que tinha vindo nos visitar (Golias e Dra. Myrthes) e seguimos para mais essa jornada.

Pegamos a via Anhanguera - estrada bandeirante que desbravou o Brasil, rasgando território, cerrado e seus povos! Quando passamos em Campinas, dava pena, dava dó. No trevo de Americana, sentimos que íamos aguentar. De Limeira até Araras, tocando sem parar. Uma parada em Leme, uma boa ideia em Pirassununga e passamos sem parar por Ribeirão.

De Uberaba a Uberlândia fomos acontemplando a beleza, dando um tapa na cidade, ouvindo moda sertaneja! Entre as duas cidades, desviamos para Araxá-MG, nosso primeiro destino. Já era noite, quando pegamos a estrada saindo da Anhanguera, em meio a um enxame de insetos que dava cada estouro na frente do caminhão, que tivemos que parar num posto para lavar o pára-brisa.

Chegamos em Araxá por volta das 22h, do dia 02 de novembro. Ficamos no Hotel Catuíra, próximo a rodoviária, pousada mais em conta que encontramos e que para nós estava passando de bão!

No primeiro horário da terça-feira (03/11), fomos descarregar no cliente. Rodamos um pouco perdidos, porque havia dois endereços com o mesmo nome na cidade. Encontrado o endereço, uma clínica próxima ao nosso hotel, rapidamente descarregamos. Aproveitamos para dar uma volta no centro antigo de Araxá, uma viagem no tempo da Dona Beija (que, como o avô Luizinho das moças dizia, foi a responsável por roubar o triângulo de Goiás).



De volta na estrada, deixamos Minas para trás, cruzando o Paranaíba, na altura de Itumbiara. No trevo de Morrinhos, para encontrar Goiânia, cheios de esperança. Abastecemos no Aparecidão (Marajó), posto imenso com caminhões seguindo para todo o Brasil. Dormimos na casa da vó Myrthes, comemos pamonha e mesmo na correria, conseguimos curtir um pouquinho da família do Tonho.

E se na linda Goiânia, se não encontrar ninguém, amanhã bem cedo seguimos com destino à Belém, vamos até o fim do mundo, com nosso bem!


De madrugada saímos da capital goiana, por Nerópolis, e antes um pouco de Jaraguá, pegamos a BR-153 - a famosa Transbrasiliana, ou Belém-Brasília, principal eixo de ligação do norte com o centro-sul do país. Daí para cima, a estrada deixou de ser duplicada, lotada de caminhão, mas em geral está boa, sem buracos, ainda que com alguns pedaços o asfalto esteja bem irregular. Além disso, ganhamos 1 hora, já que no norte também não tem horário de verão.

A Transbrasiliana cruza Tocantins de rabo ao bico. Na beira das estradas, os flamboyants tinham um vermelho intenso e os pequizeiros estavam carregados. Passando por Gurupi-TO, demos carona para uma senhorinha, dona Lúcia, que tinha ido fazer um exame médico. Ela nos contou a história de uma moça que morava no Pará, que era muito reprimida e apanhava do marido. Um dia, Lúcia foi visitar uns parentes e, vendo a situação da moça, trouxe ela escondida e fugida para o Tocantins, onde viveu muito tempo trabalhando no seu restaurante. Um dia, conheceu um caminhoneiro gente fina, apaixonou, casou outra vez e mudou para São Paulo. A moça aprendeu a dirigir caminhão e hoje dirige carreta, como seu marido. Toda vez que passa pelo Tocantins, a moça visita Dona Lúcia, a quem é eternamente grata e chama de mãe. Lúcia desceu em Santa Teresa do Tocantins-TO, agradecendo muito e prometendo rezar pela nossa viagem.


O sol estava se pondo, quando passávamos por Fortaleza do Tabocão-TO. Decidimos dormir por lá, para não rodar a noite. Paramos na única pousadinha na estrada, chamada Vitória, quando notamos que o pneu se esvaziava rapidamente. Foi o tempo de chegar no posto do lado, o pneu já estava no chão. Na borracharia, colocamos o estepe e jantamos pastéis de queijo, antes de voltar para a pousada.

Dia 05 de novembro acordamos 06h30 e amanhecemos na cidade de Guaraí -TO, onde compramos dois pneus para seguir viagem. A 153 continuou até Araguaína-TO, onde saímos para oeste, na TO-164. Se antes, os caminhões eram infinitos, essa estrada do Tocantins nos deu a impressão de estarmos indo para um lugar muito longe. Era um estradão deserto, sem caminhão, sem carro, sem posto, sem cidade, nada. Uma espécie de terra de ninguém, o que justamente nos atraía nela. Nós, que não tínhamos almoçado, custamos a achar um povoado, onde conseguimos comer um enroladinho de queijo de desjejum. Em Xambioá-TO, alcançamos a ponta do bico-do-papagaio, com o imponente Araguaia na nossa frente. Subimos na balsa, nosso caminhão navegou o Araguaia e, enfim, chegamos no Pará.


https://youtu.be/lt7pWq8COR4



Saímos da balsa, na Transamazônica. A primeira cidade do Pará que passamos foi São Domingos do Araguaia. Ficamos impressionados quando percebemos não apenas o tanto de motos, mas especialmente que a população não usa capacete e ignora os limites de passageiros! 
Daí pegamos a Transamazônica. Estávamos quase chegando em Marabá, nosso próximo destino, quando paramos no posto fiscal da Secretaria da Fazenda do estado. Eles não devolviam a nota, deram um chá de cadeira e por fim chamaram o Tonho e informaram que o cliente estava com a inscrição estadual suspensa. Arranjaram um monte de problemas e disseram que a carga teria que ficar apreendida até o comprador regularizar o problema. Já era o final da quinta-feira, o que indicava que o problema não estaria resolvido tão cedo... por sorte, a Fran tinha primos na cidade. Ligamos para sua prima Vanessa Rebelo, que foi nos salvar, com seu marido Rodrigo e seu filho João Gabriel.
Passamos um total de seis dias em Marabá. Só na terça-feira (10/11) o cliente resolveu o problema e podemos recuperar o caminhão, que ficou no pátio da Secretaria da Fazenda, e fazer a entrega. Foi quase uma semana tentando entender e resolver o problema, buscando o cliente e enfrentando cada situação atrapalhada que nem pode ser dita aqui neste blog.






   




 



Para ser bem sincerxs, nós adoramos ficar tantos dias em Marabá. Vanessa e sua família nos recebeu tão bem, que até esquecemos os problemas! Muitíssimo obrigado!

Nos divertimos tanto formando banda e tocando com o João Gabriel! Passeamos bastante na cidade. Fomos a vários restaurantes e conhecemos a culinária especial do Pará: açaí, guaraná, tacacá, tucupi... Ficamos viciados no jambu, uma erva deliciosa que adormece a boca inteira! A Fran chegou a experimentar a maniçoba. Tudo bem acompanhado com uma Cerpa bem gelada!

Para vencer o calor de Marabá - onde ar condicionado não é artigo de luxo - nós atravessamos o Araguaia até um banco de areia e ficamos tomando cerveja dentro d'água, literalmente, ao som de technobrega, Wesley Safadão, Simone e Simaria...

E bem cedo na quarta (11/11) seguimos com destino a Belém... Na saída de Marabá demos carona para uma estudante de pedagogia, para a escola rural que ela faz estágio. O almoço foi uma macarronada em Tailândia. Uma ponte caiu na PA-150 e a travessia  do rio Moju teve que ser feita por balsa, gratuita. Uns 50 km mais adiante, em Arapari, mais uma vez pegamos uma balsa, para cortar caminho. É 1 hora e meia de viagem de barco em meio a uma paisagem deslubrante e rios do tamanho de mar. Enfim, no horizonte, Belém.









Chegamos em Belém por volta das 18 horas e atravessamos o centro até a parte antiga da cidade, em busca de local para ficar e guardar a Sprinter. Ficamos no Hostel Amazônia, instalado em um sobrado colonial amarelo. Fomos recebidos com goles de cachaça de jambu, para adormecer a boca e esquentar o espírito, depois da viagem e da busca cansativa por estacionamento para o caminhão. Tomamos banho e saímos pelas ruas apertadas do antigo centro de Belém. 

Ficamos encantados pela cidade. As ruas de Belém são até escuras, devido à sombra das enormes mangueiras, carregadas de mangas, que dão em cachos. Naquela noite fomos à estação das Docas, uma região portuária reformada em um centro cultural e comercial. Lá tomamos um chopp escuro de açaí maravilhoso, acompanhado com queijo de búfala da ilha do Marajó na chapa. Um pianista tocava sobre as mesas, suspenso por um guindaste. Estava uma noite muito agradável, na orla do rio.

Na quinta-feira (12/11) , acordamos bem cedo, tiramos o caminhão do estacionamento, caminhamos entre os camelôs nas ruas apertadas e seus palecetes coloniais coloridos.  Tomamos café da manhã por ali e fomos ao mercado Ver-o-peso, comprar castanhas-do-pará.





   



Seguimos para nosso destino em Ananindeua, na região metropolitana, passando na avenida em frente ao estádio do Mangueirão. Estávamos com dificuldade para encontrar o endereço, pois os números não seguiam uma ordem. Ligamos para o cliente e logo chegamos no endereço correto. Era um distribuidor de produtos hospitalares. Nós estávamos com o baú vazio e lá carregamos quatro máquinas para trazer de volta para São Paulo. Tivemos que fazer certo esforço, porque os equipamentos não estavam separados, mas depois de tantos dias de viagem, a coleta do material foi bem rápida e logo já estávamos prontos para botar o caminhão de volta para casa. Iríamos voltar por um caminho mais direto, não precisávamos desviar para Marabá. Ananindeua já fica na saída da Transbrasiliana, o que agilizou nosso retorno.


Ok, descarregamos com êxito e já podíamos voltar para São Paulo. Porém, nossa história ainda estava longe de terminar. Vai vendo...

Logo depois do almoço, na principal estrada de saída de Belém, paramos num engarrafamento e vimos que os carros estavam saindo com pressa por um atalho à direita da pista. Chegando mais perto, vimos num posto vários carros da polícia federal e policiais com fuzis fazendo um cerco, mandando todo mundo passar rápido e parando algumas pessoas. Assustados, cortamos logo pelo atalho e fomos volta para a pista mais adiante, depois do engarrafamento. Pensamos que poderia ser bloqueios da greve dos caminhoneiros, que andavam dizendo por aí. No outro dia, pela televisão, descobrimos que se tratava de fuga de presos de um presídio próximo, que roubaram uma caminhonete, fizeram vítimas e rolou tiroteio. Nessa noite, paramos em uma pousada na beira da estrada em Ipixuna do Pará e comemos uma pizza antes de dormir.

Na sexta-feira 13, o dia já começou com a Sprinter dando problema - o mesmo defeito que havia dado em Santos e na Bahia! O caminhão perdeu força e a luz da injeção começou a piscar... entramos em contato com a transportadora, que nos orientou a parar numa concessionária em Imperatriz do Maranhão. Mas antes de conseguirmos chegar lá, no posto fiscal na fronteira do Pará, fomos novamente parados, alegando problema na nota de devolução da carga que carregávamos! Dessa vez, porém, temíamos ter que passar o fim de semana numa cidadezinha de algumas centenas de habitantes (Itinga do Pará), por conta da má vontade (ou intenções escusas) do funcionário daquela fronteira. Começamos a ligar para a transportadora, para o cliente e falamos com todo o escalão da burocracia do posto fiscal, até que por fim, o chefe geral disse aceitar uma declaração que o cliente fez e mandou por e-mail. Perdemos mais de três horas naquela brincadeira, mas conseguimos ser liberados para seguir viagem para o Maranhão.

Aliviados, passamos por Açailândia-MA e chegamos no meio da tarde em Imperatriz-MA. Na concessionária, o mecânico passou o caminhão no comptuador de diagnóstico e conseguiu resolver o problema (pelo menos temporiaramente). Depois de mais algumas horas perdidas, podíamos seguir a viagem. Paramos numa cidadezinha próxima de Imperatriz, chamada Governador Edison Lobão-MA. Perguntamos num posto onde poderíamos comer um lanche e custamos a entender no sotaque maranhense o nome do local: Good Lanches. Comemos um sanduíche delicioso e voltamos para descansar no hotel Goiás.

Ainda estava escuro, quando voltamos à estrada, no sábado (14/11). Quando cruzamos a fronteira do Tocantins, nos sentimos quase em casa. Os piquis que carregavam os piquizeiros na vinda, agora já eram vendidos na beira das estradas. Nesse sábado, cruzamos Tocantins inteiro e à noitinha paramos para dormir em Talismã - última cidade do estado.

https://www.youtube.com/watch?v=oVkbuhZ4dog




No domingo (15/11) a pressa para chegar em Goiânia era tanta, que confiamos que o tanque de combustível era o suficiente e quase ficamos sem diesel na beira da estrada. Quando entrou na reserva, em Jaraguá, nenhum posto apareceu pelo caminho e conseguimos com muito custo chegar em Anápolis. Com o tanque cheio, chegamos em tempo de almoçar na casa da vó Myrthes. Que alívio rever a família! Deu tempo ainda de tomar uma cerveja no setor aeroporto com Rafael, Carlinha e Alê, e ainda comer um pit dog para fechar a noite.


Na segunda-feira (16/11), buscamos nosso amigo Vinícius para dar carona para São Paulo. Depois de rodar tantos quilômetros, durante duas semanas, o último dia da viagem foi como dirigir em casa, ainda mais com a companhia do nosso grande amigo. Chegamos no fim do dia em Jacareí, mas ainda em tempo de tomar uma cerveja em homenagem a nossa jornada, apesar de tudo, concluída com sucesso!



Destino: Araxá - MG, Marabá - PA e Ananindeua - PA
Carga: Equipamentos hospitalares
Distância percorrida, ida e volta: 6.100 km