segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Romaria

Durante toda essa semana, a Dutra estava cheia de grupos de peregrinos rumo a Aparecida do Norte, para o feriado da padroeira em 12 de outubro. Era impressionante o número de pessoas que circulavam pelas margens da rodovia motivadas pela fé na santa. Era gente magra, gorda, velha, jovem, homem, mulher, tudo. Caminhando a passos lentos, com cajados, bandeiras, imagens da santa carregadas nos braços ou em estampas nas roupas. São pessoas que saíram de vários lugares do país e que nas estradas cruzavam com hippies, trabalhadores, malucos de BR e disputavam as sombras das placas, dos viadutos e dos pontos de ônibus para fugir do calor penoso das tardes de outubro em São Paulo e do barulho dos caminhões.




O consórcio que administra a Dutra também coloca placas no caminho que atentam para a presença dos romeiros e distribuem panfletos com dicas para os peregrinos. Estes, por sua vez, fazem a sua parte e caminham em grupos grandes, com roupas coloridas (algumas vezes sinalizadas) e buscando certa distância dos veículos. Vale a pena que os romeiros se informem das melhores condições para fazerem a caminhada, algumas dicas podem ser encontradas no site do Vale.

Cartaz da NovaDutra no trecho da rodovia em Caçapava alerta motoristas. Foto: Marcelo Caltabiano. 

domingo, 11 de outubro de 2015

Grande São Paulo

  
Se ficamos assustados na primeira vez que entramos na cidade de São Paulo, hoje cruzar a marginal, nos meter na babilônia e enfrentar aquele mundaréu de carros e filas, se tornou para nós algo tão corriqueiro e familiar quanto o cheiro do Tietê. Muitos dos dias de trabalho que deixamos de postar aqui no blog, foram viagens para vários pontos da capital paulista.

Na última semana, entretanto, o trabalho em São Paulo foi intenso. O frete era fracionado, o que significa que tivemos que fazer uma série de pequenas entregas em hospitais e distribuidoras de material hospitalar na região da grande São Paulo. Esse tipo de trabalho é muito cansativo, porque implica passar grande parte do tempo com o caminhão em engarrafamentos; a cada entrega é um malabarismo para encontrar o endereço e estacionar, tratar com porteiros e encarregados, pensar a logística da descarga, descer as caixas pesadas na mão, etc. Nessa correria, acabamos sem horário para tomar café e almoçar. Além disso, para estar na porta do cliente antes das 8 horas, o despertador tem que tocar 04h30 da madruga.

Tantas coisas podem sair errado numa entrega, que dá um gostinho de vitória cada vez que concluímos uma. Cada nota fiscal recebida e assinada é uma conquista. Na real, o trabalho de motorista tem muito desse sentimento de missão cumprida.

Na quarta-feira (07/10), cruzamos São Paulo de cabo a rabo e amanhecemos em Barueri. Depois, fomos para dois hospitais no centro de Sampa e em seguida entregamos algumas caixas para um cliente em uma região mais afastada. O GPS nos mandou por um caminho de volta muito louco, por umas quebradas, cheias de ladeiras, contornando a Cantareira, fomos sair atrás da Fernão Dias. Já era tarde quando alcançamos a Dutra e almoçamos num posto.

Voltamos umas 16h para Jacareí, mas o dia de trabalho ainda estava longe de terminar. Fomos fazer uma entrega dentro de Jacareí mesmo. Batemos várias caixas, debaixo de um sol de rachar. Depois fomos fazer coleta da carga para entregar na quarta-feira e levar parte deste material para outra empresa de logística em São José dos Campos. Saindo de lá, o caminhão puxou um fio de telefonia pendurada no poste! Foi aquela confusão, em frente a um ponto de ônibus lotado que assistia a nós dois desesperados, com medo de sermos eletrocutados,atrapalhando o trânsito de uma das avenidas mais movimentadas de São José dos Campos, na hora do rush. Eram quase 21 horas quando conseguimos chegar em casa.

Às 05h da quinta-feira (08/10) já estávamos na estrada, outra vez rumo a Barueri. Depois de fazer a primeira entrega, seguíamos para a marginal Tietê, quando nos pediram para retornar em Barueri para fazer uma coleta no mesmo lugar de onde vínhamos. Lá fomos nós, cruzar de volta a marginal, que aglomerava mais carros conforme o dia ia passando. De lá, seguimos pelo Rodoanel para um hospital em São Bernardo dos Campos. Concluídas as entregas de quinta, voltamos pela rodovia Anchieta até o Rodoanel, e então pela Ayrton Senna até Jacareí.

Na sexta-feira (09/10), como eram poucas caixas a ser entregues, nos pediram para ir na Fiorino. Quando estávamos saindo de Jacareí, o carro começou a sair fumaça – a ventoinha tinha parado de funcionar. Trocamos os fusíveis e voltamos para transportadora. Só tinha um Uno disponível e tivemos que lotar o porta-mala e os bancos traseiros com as caixas. Apesar de estarmos num veículo menor, a viagem foi bem cansativa! Pegamos muito trânsito na capital porque era sexta-feira, véspera de feriado e fazia um calor danado. A primeira entrega foi em Jabaquara, a segunda em Paraíso. Depois de rodar todo o centro, pegamos as marginais e o Rodoanel, rumo a terceira entrega, no município de Caieiras. Para fugir da saída dos paulistanos para o litoral, resolvemos pegar a estrada que vai para Mairiporã até Atibaia, onde seguimos pela Dom Pedro e chegamos em cima de Jacareí. Essa alternativa aumentava 30 km a mais no trajeto, mas valeu muito a pena ter cortado o trânsito de Guarulhos. Também é um caminho muito bonito, que passa pela represa do rio Juqueri e nem parece que está tão perto da capital.

Dessa vez fica difícil fazer o mapa com o caminho exato que fizemos, por dentro de São Paulo, e calcular a quilometragem. Circulamos só na região, mas no fim de cada dia dava mais de 400 km rodados! A correria valeu pela experiência e por conhecer as veias principais que entram e saem da maior cidade da América do Sul.


sábado, 10 de outubro de 2015

Curitiba

Na terça-feira, dia 06 de outubro fomos e voltamos de Curitiba. Como de costume, nos avisaram sobre a entrega apenas no dia anterior. A carga eram algumas caixas grandes de material hospitalar. Saímos bem cedo, por volta das 4h30. A viagem, apesar de longa, foi bem tranquila.

O dia nem tinha amanhecido e nós já saíamos da cidade de Sao Paulo, pela Régis Bittencourt. No trajeto de ida, a Fran escutou uma buzinada bem forte enquanto dirigia. Achamos estranho porque, na ocasião, ela não tinha feito nada de errado. Assim que olhamos, nos divertimos ao ver que era outro motorista da nossa empresa, que viajava para o Rio Grande do Sul. Nos encontramos na próxima parada enquanto fomos comprar salgadinho. Conversamos sobre a estrada e quais seriam os próximos postos para abastecer.

Na ida revezamos bastante o volante. Apesar de termos saído cedo, Curitiba é longe, com um trajeto cheio de serras – como a Serra dos Cafezais e a Serra do Azeite (ou outros nomes) – e assim quando chegamos já se passava do meio dia.

Para chegar no local tivemos que passar pelo centrão de Curitiba, pela UFPR e alguns parques. O destino da entrega, por sorte, era mais afastado. Ia dar trabalho estacionar o caminhão naquele centro repleto de carros e pessoas. Ao chegar no local da entrega, achamos que havíamos nos enganado, pois era uma casa, sem nenhuma sinalização de clínica, diferente dos lugares em que estamos acostumados a descarregar. Tocamos a campainha e ninguém atendeu. Começamos a ficar preocupados porque queríamos pegar o caminho de volta o mais rápido possível, para dar tempo de voltar para casa no mesmo dia. Entramos em contato com a transportadora para que confirmassem o endereço e aproveitamos para procurar um lugar para almoçar. Depois de rodar um pouco sem achar nada, acabamos comendo num Subway, num posto perto do local de entrega.




Foi interessante que neste caminho procurando almoço encontramos uns indígenas vendendo artesanato no semáforo. Conversamos rapidamente, enquanto o sinal não abria, e eles contaram que eram da etnia Kaingang, da aldeia Rio das Cobras. Não pudemos conversar mais, porém compramos um cesto lindo feito pelas indígenas.



Depois disso, a empresa confirmou o local de entrega. Estávamos certos. Chegando lá o dono da casa nos recebeu e ajudou a carregar algumas das caixas. Ele não conseguiu esconder a surpresa e nos disse “Antes os entregadores era uns homens fortes! Agora chega uma mulher magrinha dessa, com um piá magrinho também”.

Assim que descarregamos, pegamos o caminho de volta para São Paulo. Dessa vez não passamos pelo centro de Curitiba, mas sim pelo anel viário, cortando pela parte sudeste da cidade. Já na Régis Bittencourt, passamos por um caminhão da Fórmula Truck, sendo carregado por outro caminhão!


Fomos revezando o volante, enquanto um dirigia o outro cochilava no banco do carona. Enquanto dormia, a Fran chegou a sonhar que dirigia o caminhão e que cochilava no volante... e acordou de repente super assustada (e feliz por não estar dirigindo de verdade)! A volta foi cansativa, depois de acordar tão cedo, pegar as serras com chuva e de noite, estávamos exaustos. Só chegamos em Jacareí umas 22:00 e ainda tivemos que esperar um pouco para organizar no caminhão a carga que sairia no dia seguinte (dessa vez um pouco mais tarde: 5:30 da manhã).



Destino: Curitiba
Carga: Equipamento hospitalar
Distância percorrida, ida e volta: 1.200 km